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29/04/2009
MERCADO INTERNO

Criado grupo para investigar as irregularidades no café produzido em Minas

Veículo: Portal Uai | Seção: Economia


Enquanto a legislação brasileira limita a 1% o nível de impurezas, há casos de até 20% de adulteração.

O consumidor mineiro pode beber milho, açaí, açúcar, cascas e paus no cafezinho de todos os dias, se não estiver atento na hora de ir às compras. O alto número de marcas com irregularidades encontrado pelo Sindicafé em uma pesquisa realizada com 433 marcas mostra que 205 tem algum nível de impureza. Dado que motivou muita discussão em uma audiência na Assembléia Legislativa nesta quinta-feira. Os deputados resolveram criar um grupo de trabalho para investigar a questão mais a fundo e barrar o comércio de produtos com baixa qualidade.

Ainda sem ações definidas, o grupo é integrado pela Vigilância Sanitária Estadual, o Procon do Ministério Público, o próprio Sindicafé, a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) e Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). Secretaria da Fazenda e a Feam também serão convidadas para integrar o time. A pesquisa com o apontamento de marcas irregulares também foi encaminhada à Abic, que deve inspecionar as fábricas.

Além de prejuízo à economia das indústrias do setor, o consumidor é ludibriado ao pagar por um produto que ele sequer consegue identificar que é ruim. Dante Alighieri Manna, gerente de relações sindicais do Sindicafé, conta que é muito difícil identificar no olho qual café não tem impurezas. "Um dos parâmetros é ter o selo de pureza da Abic. Quem tem o selo é monitorado trimestralmente ou semestralmente, mas também tem muitos que não têm selo e são bons. Há empresas pequenas porém sérias", afirma.


A Abic vai publicar, em setembro, o Guia da Qualidade dos Cafés do Brasil, a partir da avaliação da safra que começa a ser colhida em maio.

O pior é que nem tomando café é possível identificar as fraudes. Segundo ele, a mistura não é aleatória, mas feita premeditadamente. "O mais usual é o milho. Nem sempre provoca alteração no sabor, se causasse, não misturariam", diz.

Nesse meio em que os picaretas podem reinar e as impurezas variam de 5% a 20%, o maior atrativo é o preço. "Chega a ser de 20% a 50% mais barato que os concorrentes na prateleira", alerta.

Assim, mesmo que o paladar não acuse gosto estranho no café, o consumidor não deve ser ingênuo. O café em grão, moído na hora, vendido avulso, por exemplo, é considerado difícil de monitorar pelos órgãos competentes. A venda muitas vezes é informal e não oferece nenhuma garantia do produto. Então, quem compra vê a moagem, cheira o grão, mas muitas vezes não percebe que a impureza vem disfarçada, principalmente de cascas e paus.

Enquanto os processos contra as empresas irregulares estão em andamento, o ideal é desconfiar do produto e do próprio paladar. Se for barato demais ou não tiver o selo de qualidade que exige o máximo de 1% de impurezas, pode ser melhor provar o concorrente.

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